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Como formar a sua equipa em Business Central

Uma boa formação em Business Central decide se o ERP é usado como foi desenhado. Veja o que a Microsoft oferece, quem deve ser formado, quando e como acompanhar a mudança na equipa.

Atualizado em 28 de outubro de 2026

Procura formação em Business Central porque sabe que o software, sozinho, não resolve nada. Num projeto de ERP, a diferença entre uma implementação que se paga e uma que fica a meio está muitas vezes na forma como as pessoas passam a trabalhar no dia seguinte ao arranque. Esta página explica o que a Microsoft põe à disposição para aprender Business Central, quem na sua empresa deve ser formado, em que momento do projeto e como acompanhar a mudança.

O que a Microsoft oferece para aprender Business Central

A Microsoft mantém documentação técnica e funcional em Microsoft Learn, com percursos de aprendizagem por área (finanças, vendas e compras, armazém, configuração). É o ponto de partida natural para quem quer perceber como o sistema pensa antes de ver uma demonstração: o que é uma empresa, um diário, uma dimensão, uma série de numeração, como se liga uma encomenda a uma fatura.

Estes recursos têm duas limitações que convém conhecer:

  • São genéricos. Descrevem o produto internacional e não o seu plano de contas, os seus circuitos de aprovação ou os seus artigos.
  • Nem tudo é local. No caso de Portugal, a Microsoft indica na sua lista oficial que a localização é assegurada por um parceiro, e o país não consta entre aqueles para os quais documenta funções locais. O que é específico da realidade portuguesa aprende-se, portanto, com o integrador e com a aplicação de localização instalada.

Use o material da Microsoft para preparar perguntas e criar uma linguagem comum. Use o integrador para tudo o que depende do seu negócio e da lei portuguesa.

Certificação Business Central: o que existe e para quem serve

Quando fala de Business Central certification, convém separar duas coisas: a certificação das pessoas e a posição do parceiro na Microsoft.

MB-800: consultor funcional

O exame MB-800 conduz à certificação «Dynamics 365 Business Central Functional Consultant Associate». Exige uma pontuação mínima de 700 e mede quatro domínios, cada um com o seu peso:

Domínio avaliado Peso no exame
Paramétrico (configuração) 20-25 %
Finanças 30-35 %
Vendas e compras 10-15 %
Operações 30-35 %

A leitura útil para uma empresa é simples: a certificação aposta em quem configura e implementa, com muito peso em finanças e operações. É uma boa referência para avaliar os consultores que lhe propõem, e uma meta razoável para um responsável interno que vá assumir a administração funcional do sistema. Não é um requisito para os utilizadores do dia a dia.

MB-820: programador

Para a vertente técnica existe a certificação MB-820 (Business Central Developer Associate). Interessa se prevê desenvolvimentos específicos; veja a nossa página sobre personalização e desenvolvimento em Business Central para perceber quando isso se justifica.

Validade e renovação

As certificações Microsoft de nível associado, especialista e especialidade expiram todos os anos. A renovação faz-se com uma avaliação em linha gratuita no Microsoft Learn. Ao escolher um parceiro, vale a pena perguntar quantos consultores têm certificações válidas e para que áreas, em vez de se contentar com a existência de «alguma» certificação.

O que isto diz sobre o parceiro

Para obter a designação «Solutions Partner for Business Applications», a Microsoft avalia o parceiro num sistema de pontos que combina desempenho, competências e êxito dos clientes. As certificações MB-800 e MB-820 contam nas métricas de competências, a primeira no nível intermédio e a segunda no avançado. É um indício de investimento em formação, não uma garantia de qualidade do projeto: complete-o com referências e uma conversa técnica. Mais pistas em como escolher um parceiro de Business Central.

Quem formar e com que objetivo

Uma formação eficaz não é a mesma para todos. Distinga três grupos.

Utilizadores-chave

São as pessoas que melhor conhecem cada processo: o contabilista ou responsável financeiro, a pessoa das compras, o responsável de armazém, quem trata da faturação. Participam no paramétrico, testam os cenários e validam o que é entregue. Precisam de uma formação mais profunda, com tempo para experimentar, errar e perguntar. São também os futuros formadores internos.

Utilizadores finais

Usam o sistema todos os dias numa parte limitada do processo. A formação deve ser curta, prática e centrada nas suas tarefas: registar uma encomenda, receber mercadoria, emitir uma fatura, consultar um saldo. Menos teoria, mais exercícios com os seus próprios documentos.

Direção e gestores

Não precisam de saber lançar documentos, mas sim de ler indicadores, navegar nos relatórios e perceber o que o sistema permite e o que não permite. Uma sessão dedicada evita decisões baseadas em expectativas erradas.

Se tem utilizadores com acessos limitados (por exemplo, quem só consulta ou aprova), a estrutura de licenciamento condiciona o desenho dos papéis. A página preços de Business Central explica as licenças e o que pesa na fatura.

Plano de formação por fase do projeto

A formação não é um evento no fim, é uma linha que acompanha o projeto. O quadro abaixo mostra uma sequência típica; o integrador ajusta-a ao seu âmbito.

Fase Quem é formado Conteúdo principal
Arranque e conceção Utilizadores-chave e direção Lógica do sistema, vocabulário, navegação, o que muda face ao software atual
Paramétrico e testes Utilizadores-chave Configuração, circuitos de compras, vendas e contabilidade, cenários de teste com dados reais
Preparação do arranque Utilizadores-chave formam colegas, com apoio do integrador Procedimentos internos, exercícios por posto de trabalho
Arranque Utilizadores finais Tarefas diárias, erros frequentes, a quem pedir ajuda
Pós-arranque Todos Fecho mensal, correções, novas necessidades, reciclagem

O ponto decisivo é a fase de testes: quem testa com atenção aprende a usar o sistema sem dar por isso. Os utilizadores-chave que apenas assistem a demonstrações chegam ao arranque sem terem tocado em nada. Veja como esta sequência se encaixa no calendário geral em implementação de Business Central.

Formação ligada a cada área funcional

O conteúdo deve seguir os módulos que a sua empresa vai realmente usar. Alguns exemplos de agrupamento:

Se a visão geral dos módulos ainda não está fechada, comece pela página módulos de Business Central.

O que é específico de Portugal e tem de ser ensinado

Em Portugal, a formação tem uma camada que não se encontra nos manuais internacionais. Como a localização de Business Central para o país é assegurada por um parceiro, publicada no Marketplace sobre a versão internacional, as funções locais dependem dessa aplicação e da forma como o integrador a configura. Isso torna indispensável formar as equipas em:

  • Faturação certificada. Como emitir, anular e retificar documentos de acordo com o software certificado e as regras da Autoridade Tributária. Complete com o nosso guia de software de faturação certificado.
  • SAF-T (PT). Como é gerado o ficheiro, quem o valida e como se tratam as inconsistências. Ver SAF-T (PT) e ERP.
  • ATCUD e código QR. O que aparece nos documentos, o que acontece com as séries e o que fazer quando se muda de série.
  • IVA e relação com o contabilista certificado. Quem lança o quê, quem revê, quando se fecha o período.

Estas rotinas devem ser ensaiadas antes do arranque, com o vosso contabilista presente. Um erro de série de faturação detetado só no primeiro fecho é caro de corrigir.

Conduzir a mudança, além da formação

Formar não basta. Os projetos que correm mal raramente falham por falta de uma sessão de formação; falham porque as pessoas continuam a trabalhar em folhas de cálculo paralelas, porque ninguém sabe quem decide quando o sistema não prevê um caso, ou porque a direção deixou de olhar para o projeto depois da assinatura. Algumas práticas ajudam:

  1. Nomear um responsável interno do projeto, com tempo reservado e poder para decidir.
  2. Explicar o porquê. Cada equipa deve perceber o que ganha com o novo sistema e o que se espera dela.
  3. Definir uma data de abandono do sistema antigo e cumpri-la, em vez de manter dois sistemas vivos.
  4. Criar um canal de apoio visível nos primeiros dias: quem responde, por onde, em que prazo.
  5. Reunir feedback depois do arranque e agir sobre ele, mesmo que seja para mudar um ecrã ou um procedimento.

Os erros mais comuns de gestão estão listados em erros de projeto de ERP e, para um quadro geral do que implica uma implementação, em implementação de ERP.

Como avaliar a formação proposta pelo integrador

Ao receber uma proposta, procure respostas concretas a estas perguntas:

  • A formação é feita com os seus dados e processos ou apenas com uma empresa de demonstração?
  • Quem forma: consultores com certificação válida, e com experiência no contexto português?
  • Está previsto um documento de procedimentos entregue no final, adaptado à sua empresa?
  • Há apoio após o arranque, e em que formato? Ver suporte e manutenção de Business Central.
  • A formação sobre SAF-T (PT), ATCUD e faturação certificada está incluída no âmbito?

Se a licença for adquirida por um parceiro, como a Microsoft documenta para as licenças em linha através do programa Cloud Solution Provider, aproveite essa relação comercial para perguntar que formação e que apoio estão associados.

Peça um parceiro que dê formação a sério

A Integrador ERP é um serviço gratuito de ligação: não damos formação nem implementamos. Indicamos-lhe um integrador adequado ao seu projeto e ao seu setor, e poderá confirmar com ele o plano de formação, as certificações da equipa e a cobertura das exigências portuguesas. Veja como funciona a ligação e, para a decisão mais ampla, como escolher um integrador de ERP.

Perguntas frequentes

Onde posso aprender Business Central de forma gratuita?

A Microsoft publica documentação e percursos de aprendizagem em Microsoft Learn, acessíveis sem custo. Servem para ganhar vocabulário e perceber a lógica do sistema. Não substituem a formação sobre o seu próprio paramétrico, que é dada pelo integrador sobre os seus dados e processos.

O que é a certificação MB-800 e para quem serve?

É o exame que dá a certificação de consultor funcional de Business Central (Dynamics 365 Business Central Functional Consultant Associate). É exigida a pontuação mínima de 700. Serve sobretudo a quem configura e implementa o sistema, isto é, consultores do integrador ou um responsável interno com perfil funcional forte. Um utilizador final não precisa dela.

A certificação Business Central tem validade?

Sim. As certificações Microsoft de nível associado, especialista e especialidade expiram todos os anos. A renovação faz-se com uma avaliação em linha gratuita no Microsoft Learn, pelo que convém perguntar ao integrador se os seus consultores a mantêm em dia.

Quem deve ser formado primeiro: utilizadores-chave ou utilizadores finais?

Os utilizadores-chave vêm primeiro, ainda durante o paramétrico e os testes, porque são eles que validam os processos e depois formam os colegas. Os utilizadores finais são formados mais perto do arranque, com os seus dados reais e em tarefas do dia a dia, para não esquecerem o que aprenderam.

A formação cobre as obrigações portuguesas, como o SAF-T (PT) e o ATCUD?

Deve cobrir. A localização portuguesa de Business Central é assegurada por um parceiro e não pela Microsoft, e a Microsoft não documenta funções locais para Portugal. Por isso, a formação sobre faturação certificada, SAF-T (PT) e ATCUD tem de ser dada pelo integrador, com base na aplicação de localização que escolher.

Fontes

  1. Microsoft Learn – Estudo para o exame MB-800
  2. Microsoft Learn – Localização de Business Central
  3. Microsoft Learn – Países e traduções de Business Central
  4. Microsoft Partner Center – Solutions Partner for Business Applications

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